terça-feira, 23 de Outubro de 2007
...
(Foco-me na estupidez do que escrevo, qual naufrágo desesperado agarrado estupidamente a um pequeno galho, numa tentativa de não me afundar na estupidez que me envolve. Se me afogar em alguma, ao menos é nesta, que é minha.)
Não sei que escreva; não tenho nada que escrever. Pareço louco, mas tenho direito a sê-lo. Mais não seja pela estupidez que me envolve. Ou por aquela em que me afogo, que já não sei se é a minha ou a dos outros. É tudo a mesma coisa e ao mesmo tempo é tão diferente.
Não disse nada. Mas se nada tinha que dizer, tudo está bem. Apenas queria escrever. Já escrevi. Vou embora.
quinta-feira, 4 de Outubro de 2007
...de manhã...

sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
On being human: Truth
The pure and simple truth is rarely pure and never simple.
Oscar Wilde
Maybe that’s why we lie to each other. Like trolls from the fantastic stories of my childhood, who would kill you just to simplify things, we remorselessly kill truth in a vain attempt to simplify our lives. You lie to me. You’d rather tell me you were stuck in traffic than the pure and simple truth: you just bumped into that old friend of yours. Because to me that wouldn’t be as straightforward as that: you didn’t just bump into him. He was looking for you. Yes, I know he was your childhood sweetheart. Yes, I’d be jealous. You Know me. That, at least, is a pure truth. So you lie. You simplify. You never asked me if I wanted that, though.
Someone saw you speaking, and perhaps something else. Someone told me someone saw. It’s always like that. Then you just deny. To assume your mistakes was never easy to you. It wouldn’t seam a viable option to your pride. Well, honestly speaking, nor would it seam to mine. We argue. Inevitable. We hurt each other. Predictable. We split up. Foreseeable.
The truth would have been everything but simple to tell. I would never expect you to actually tell me the pure truth (I’ve never met someone capable of that). We both know all that. Even so, I demanded it pure and simple. Just the way you could never have done it. You understood my position, though, You would have done exactly the same thing. We both know that. Despite lying to you almost everyday (about your new haircut, your cooking, your lovely cousin, or an unimportant flirt at work), I still find myself in position to demand truth. And, to my amazement, you still find me in that position too.
Now we are apart. The exact way we swore countless times we would never be. Now I cry shamelessly. The exact way I swore myself countless times I would never do. Now you hang out with other guys just for the sake of forgetting. The exact way you swore yourself countless times you would never do. And nowadays, we live lying to ourselves pretending to be someone we are not. That is the pure and simple truth: lying is rarely pure and never simple.
quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
LONDRES – Tomo I: “À Descoberta”
Foram apenas duas semanas dirão muitos. Eu respondo que vivi e aprendi mais nessas duas semanas do que muitos em todo o tempo que por cá andaram. O objectivo, pelo menos o oficial, era aprofundar o meu conhecimento de inglês. No fim, saí de lá a falar inglês ainda melhor, com um francês já aceitável, com mais noções de italiano e a saber dizer alguma coisa de alemão, pelo menos o mais necessário, como por exemplo: Du hast shön blond haar und fantastisch blau augen! Acreditem: serve para qualquer rapariga alemã! ;) Mas muito mais do que as matérias académicas foram as pessoas, as situações, as descobertas, a interacção. Foram 15 dias de descoberta de mim mesmo numa situação em que nunca antes me encontrara (mas não me importarei de voltar a encontrar): uma autonomia e uma independência fantásticas. E não pensem que foi só a falta de pais. Foi o tudo ser desconhecido: a cama, o lugar, as pessoas, as escola, os colegas, os professores… Dá-te uma liberdade quase completa. Afinal ninguém te conhece mesmo! Qual é o problema de declamar “Os Lusíadas” em alto e bom som no meio de Oxford Street? E Piccadilly Circus é um lugar tão bom como outro qualquer para aprender a dançar, desde a valsa ao cha cha cha! Quanto ao cantar, num coro cheio de harmonia e vozes melodiosas, todo os géneros musicais, desde Muse a Toni Carreira, no metro, bem, tirando uns olhares reprovadores de perto de 99% dos transeuntes, não houve nada de mais! Foram 15 dias de descoberta de pessoas completamente novas, mas do mais fascinante! Todas à sua maneira tinham algo de diferente para contar, mostrar ou ensinar. E não há maneira melhor de aprender do que entre pessoal jovem a rir às gargalhadas do pavão, dos torneios de ping-pong, das calinadas da Chio, dos estereótipos culturais ou da falta de habilidade de alguém, muito provavelmente eu, para comer com pauzinhos.
Foram 15 dias de aventura diária, de viagens de autocarro sem destino conhecido, de encontros menos recomendáveis às 3 da manhã, de quilómetros e quilómetros percorridos no meio daquela atmosfera citadina, atarefada, estimulante. 15 dias que souberam a pouco, mas pelos quais agradeço todos os dias.
Como respondia a todos aqueles que vinham ter comigo e perguntavam: “Então e Londres, como foi?”; é impossível sintetizar uma tal experiência em meia dúzia de palavras, e daí o “Tomo I” no título. A medida que me for recordando das experiências lá vividas vou-as publicando aqui neste meu canto dissonante. Não na esperança de que vocês as leiam todas, mas numa necessidade de libertação. Foi bom, foi óptimo, foi do melhor que já me aconteceu. Mas passou. E agora coisas há que requerem atenção e preciso de fechar este livro para abrir o próximo. Espero retoma-lo no próximo Verão (a França espera-nos Filipa!). Afinal, as histórias só têm um ponto final definitivo quando lho querem por.
quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
Ocasos
Algarve, Via do Infante.
A direcção era Oeste.
O relógio marcava 9 da tarde (sim, da tarde, pois naqueles enormes dias solarengos de Julho podemos dar-nos a tais extravagâncias).
O Sol aproximava-se do término da sua jornada diária e as suas línguas de fogo e luz lambiam com indescritível provocação os cumes das serras do interior algarvio. Olhei-o de frente, sim, daquela maneira que não se deve porque faz mal aos olhos. Fascinou-me, prendeu-me. Numa atitude algo camaleónica mudava de cor: do seu característico amarelo relampejante, berrante até, foi enrubescendo, passando por todos os imagináveis tons de laranjas ou alaranjados. E estes seus caprichos contagiavam tudo em seu redor. A ponto de os escassos e etéreos farrapos de nuvens presentes naquele firmamento estival se incendiarem, como que de moto próprio, em tinturas de carmins apaixonados, rosas inocentes e púrpuras reais. E então, subitamente, o astro-rei começou a afundar-se por detrás das serras, como que procurando santuário por um qualquer crime chamejante cometido naquele dia. E como que envergonhado de toda a sua flagrante conspicuidade, ocultou-se numa questão de segundos. Para trás fica todo um trilho de réstias de luz que se confundiam e associavam num caleidoscópio de cores, único vestígio do aparente opróbrio do Grande Astro. Esperava assistir ao dissipar de toda aquele espectáculo até ao advento da penumbra vespertina em todos os seus azuis carregados de promessas de noite e escuridão.
Atónito fiquei, portanto, quando não muito depois, o Astro envergonhado espreitou de novo num dos cumes da serra. E tão subitamente quanto tinha desaparecido, voltou, em todo o seu esplendor, para reclamar à noite alguns instantes para o dia. Mas não conseguiu impor-se contra as leis naturais por muito, e apenas durante uns momentos fui eu capaz de gozar mais um pouco do calor dos seus raios na minha face. E assim, obedecendo contrariado aos imperativos naturais, voltou-se a afundar-se nas serranias algarvias com delongas quase fatalistas. Por cinco vezes se repetiu o fenómeno e não pude evitar pensar na sua singularidade. Aquela sucessão de “micro-dias” e “micro-noites” em espaços de tempo inconcebíveis fez-me pensar no futuro.
Onde estarei eu daqui a uns quantos ocasos?
(Algures no príncipio de Agosto de 2007)Carta de Amor de um Biólogo
«Você tem uma nomenclatura muito linda, mas saiba que eu a amaria mesmo que você se chamasse Ergastoplasma... Sabe que quando a vejo, minhas mitocôndrias entram em fermentação, a meiose acelera - se e os meus gâmetas ficam todos assanhados? É verdade porque você tem um fenótipo tão lindo que tenho uma tese de que o seu código genético foi sequenciado por um artista muito inspirado, em plena geração espontânea.
Fim e Começo
E falando do blog, durante os próximos dias vou publicando umas coisas que fui fazendo ou lendo durante estas férias. Espero que leiam e comentem!

Bem-vindos a mais um ano lectivo dissonante. (Como não podia deixar de ser.)
Fotografia: http://www.fotodependente.com/img1057.htm
domingo, 24 de Junho de 2007
Momentos
É certo que existirão outras tardes, magnificas também, mas não vão ser as mesmas, porque são as pessoas que fazem os momentos. O tempo pode passar por nós pavoneando-se eternamente jovem e mostrando-nos um sorriso de escárnio. Mas que sorriso amarelo esse! O tempo é o vagabundo deformado e mutante que jaz na valeta, é o ser abjecto e solitário que ninguém reconhece, que ninguém quer conhecer. Recordamos os momentos porque eles nos estão associados a pessoas, às pessoas que nos marcam – por vezes indelevelmente como é o caso. O tempo é o bode expiatório, é o macaco da culpa. É aquela criação a que o criador renuncia. Criámos a noção de tempo, desse eternamente jovem, e renunciámos a ela porque nos fazia “dor de cotovelo”. Nem mais meus caros. Ora já me viram isto? Quer dizer, anda aqui uma pessoa a esfalfar-se uma vida toda e morre ao fim duns míseros 60 anos, e esse mandrião que não faz nenhum senão passar por nós não tem um fim? Ora, é legítimo que cause confusão e desconforto.
Mas, paradoxalmente, ao fazermos essa renúncia tiramos-lhe tudo aquilo pelo qual o renunciámos. É que o tempo tinha mais do que nós, crime abominável, mas ao privamo-lo de nós, tiramos-lhe uma parte essencial: a identidade! O que é o tempo? Pois, dirão que é complicado definir porque é algo de muito abstracto, blá blá blá; não tenham medo de se mostrar ignorantes neste aspecto, é que nisso somos todos. Não o definimos porque não nos dá jeito, quem é que quer estar a “espremer” e compreender algo que nos conduz à velhice, às rugas, à morte? Sejamos francos, não somos heróis românticos com tendências masoquistas: meros humanos é a melhor definição! Mas voltando à identidade do tempo, para ser coerente à não-identidade do tempo, a nossa renúncia fez dele um vagabundo maltrapilho sem ninguém. Em bom português: um Zé-ninguém! Disto resulta, que ninguém pensa que se cruzou casualmente com a prima da vizinha às 16:47 do dia 9 de Agosto de 1998. Depois ainda há os relógios, que não passam de um subterfúgio de uma sociedade facilitista. Senão vejamos, seria complicado pensarmos que íamos ter com aquele amigo ao bar, depois de tomarmos café com o pessoal do liceu, depois de jantarmos com o chato cliente, depois de termos ido às compras à procura de algo para aplacar a fúria de uma namorada irritada, depois de passarmos uma tarde no escritório, depois de termos almoçado com a saudosa e santa mãezinha…podia continuar até o Sol raiar. É de facto mais fácil pensar que temos de tar no bar ás 11h da noite. Em boa verdade as horas, dias, etc., também não existem. Mas não compliquemos.
O que realmente interessa retirar deste estúpido devaneio é que, em última análise, o tempo não passa de algo irreal e realmente decadente e que o que para nós interessa são as pessoas! Podem voltar a haver tardes parecidas, mas nunca vão ser as mesmas. Pelo menos, aquele arco-íris com a mania que sabe jogar bilhar não vai mais brindar-nos com o seu jeito algures entre o inseguro e o arisco, com o seu sorriso, com a sua espontaneidade – repito, passa na cabeça de alguém roubar-nos a bola de bilhar?
Vais fazer falta!
E neste momento eu invejo aquele eterno jovem decrépito e abandonado, porque queria poder parar o tal tempo naquela tarde; ficar ali no jardim da Pipa e gozar do melhor do que a vida tem para oferecer: amigos, Sol, ice-tea, morangos…ah e uma mesa de bilhar!
sábado, 16 de Junho de 2007
Aves
É sempre mais triste para quem fica. À espera da sua oportunidade para poder voar também. Dizem-nos que ainda temos as asas curtas, que temos de esperar. E lá ficamos nós a vê-los partir com um misto de felicidade e inveja.
Batem orgulhosamente as asas, aves realmente raras estas! E nós sonhamos como vai ser a nossa vez. A ansiadade entra em crecendo. Mais não seja pela saudade. E agora? Lá vai parte de nós, sabe-se lá bem para onde...
Não podemos realmente pedir que esperem por nós, cada um tem o seu tempo, mas podemos pedir que não se esqueçam de nós, não podemos?
sexta-feira, 15 de Junho de 2007
Equações matemáticas
Não, para mim não. Não te entendo; confesso. Talvez seja demais para mim, comum mortal. Mas para mim a razão não é tudo, não pode ditar tudo. Só funcionam as equações da maneira que a ju as escreve. Nem sempre 2 + 2 são quatro. Eu vivo assim. Incerto, é certo. Mas feliz.
E tu, és feliz?
Sim, tu? Porque não haverias de ser tu?
Porque não seria este post para ti?
Sim tu, por onde andas?
É que, será que de onde andas me sabes dizer onde ando eu? É que eu não sei..
Atraso de vida
Acordou...
Mando-lhe uma mensagem de bons dias? Nah, melhor não...
segunda-feira, 11 de Junho de 2007
A Outra Metade de Mim
És uma grande egoísta pah!
Mas espera, se isto funcionar ao contrário o egoísta sou eu!!
Não admira que tenhas problemas de identidade!!
O importante é que, pela Natureza humana, não podemos gostar mais de nada do que nós próprios, logo, se tu és eu e eu sou tu, estamos bem assim, não é?
O homem
L'Homme saura toujours trouver
Toutes les femmes du monde entier
Pour lui chanter ses louanges
Des qu'il en sera lasse
Elles seront vite oubliées
Vraiment, vous n'étés pas des anges."
Johnny, Vaya con Dios
Gostei sinceramente da discrição: vocês não são nenhuns anjos.
Acho que aí é que está, nós não pretendemos sê-lo, vocês é que pensam que sim!
Apenas uma gota a juntar ao imenso oceano da incompreensão mútua de ambos os géneros.
P.S. Grande música e grande grupo! :)


